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08/03/2018

Mulher quem te viu e quem te vê...


Há, ainda, quem afirme que desigualdade de género já não se usa e que já passou da moda. Mas lutar pelos meus, pelos direitos das minhas irmãs e pelos das futuras gerações não é moda, é frustração de anos a “beijar” o chão que os homens pisam, é incómodo de ter de ouvir “homem não chora”, “o lugar das meninas é na cozinha a aprender a cozinhar” e farta de reponder “Estamos no século XXI!”e sabem o que é que me respondem? “No meu tempo não era assim…”.
No teu tempo, as meninas andavam nas escolas até os pais (pai, não mãe) deixar. No teu tempo, Salazar era primeiro-ministro. No teu tempo, não podias votar. No teu tempo, a tua opinião era inferior à do teu filho de 11 anos. No teu tempo, não eras ninguém, nem para os homens nem para o país. No teu tempo, eras vista como um robot doméstico, eras para ser vista a trabalhar, mas não ouvida. No teu tempo, não eras mulher. Queres que fique tudo igual de novo? Queres tirar todas as oportunidades às nossas meninas? Queres que voltem a ficar confinadas a arrumar a casa o dia todo? Queres que todas as suas opiniões sejam só ouvidas pelas amigas?
Eu também não! Eu quero que a minha filha chegue a casa na segunda feira do trabalho, com a casa arrumada, roupa estendida e jantar ao lume. E, que, no dia seguinte, o seu marido/ sua mulher chegue a casa e tenha a mesma satisfação que ela teve. Quero que ganhe exatamente o mesmo que o seu colega de trabalho. Quero que tenha a possibilidade de dizer que não quer ter filhos e que, por isso, não seja julgada. Quero que possa andar descansada na rua de noite, sem ter de olhar para trás 5 em 5 segundos, com o medo de estar a ser seguida. Espero que estes homens e mulheres, que não lutam pela igualdade de direitos e oportunidades, percebam que o tempo deles chegou ao fim.


"Here's to strong women. May we know them. May we be them. May we raise them."
Rita Mendes

28/12/2017

Uma Livraria Fora Do Roteiro


No plano não constava esta paragem, mas também de paragens não são feitos os planos. Debate interior contido, porta de entrada ultrapassada, eis, a livraria, que embora não passe por desvio planeado, por desvio desejado certamente passará. Com a temperatura ideal para a conservação de magia, um enquadramento promissor a caçadas de aventuras e um cativante recheio diversificado. Aqui, a literatura encontrou uma residência e esta heroína encontrou uma justificação para alterar o roteiro. 

Jessica Galvão Mendes

23/08/2017

Olaf no Verão


Colombo chegou à América, Armstrong chegou à Lua e eu cheguei ao Verão. Um salto gigante para a comunidade de Bonecos de Neve, devo acrescentar. Sonhei, aguardei, mas finalmente aqui cheguei. Etapas como esta devem ser fixadas na História, por isso procurei as palavras para imortalizar esta proeza. Para a inspiração, ouvi Adele, para compreender melhor o assunto, ouvi Taylor Swift, para saber o deveria fazer, ouvi Ed Sheeran. A verdade é que, nem com todas as canções de amor do mundo, encontrei palavras para descrever este sentimento tão imenso, assim ganhei coragem e ouvi o meu coração: Há apenas uma estação pela qual vale a pena derreter, e essa estação é o meu Verão.

P.S.: O nosso ship name é Olafão e não aceitamos fanfiction imprópria.
Jessica Galvão Mendes

23/07/2015

"Convergente", Veronica Roth

Sinopse: A sociedade de fações em que Tris Prior acreditava está destruída – dilacerada por atos de violência e lutas de poder, e marcada para sempre pela perda e pela traição. Assim, quando lhe é oferecida a oportunidade de explorar o mundo para além dos limites que conhece, Tris aceita o desafio. (...) Alternando as perspetivas de Tris e Quatro, "Convergente", encerra de forma poderosa a série que cativou milhões de leitores em todo o mundo, revelando por fim os segredos do universo Divergente.





Livro: Convergente
Autor: Veronica Roth
Editora: Porto Editora
Nº de páginas: 416
Série: Divergente
Nº de série: 3

Como já havia acontecido com o segundo livro desta trilogia, também o volume final da série não atingiu as minhas expetativas. Ao contrário do primeiro livro, que tem um ritmo vertiginoso que impede o leitor de pousar o livro, e do segundo, que apesar de contar com um início mais lento e menos cativante, o desenrolar da ação vai aumentando a confusão e ansiedade por respostas, atingindo o seu auge com o alcance da revelação final que altera a dimensão da trilogia. O terceiro livro nunca ascende ao nível dos volumes anteriores, a sua leitura é demorada e mesmo nos momentos mais dinâmicos ou mais emotivos, a obra nunca toma a atenção do leitor na sua totalidade. 
 *Fonte*
*Fonte*
Outro dos aspetos que me incomodou foi o duplo ponto de vista, isto é um capítulo sob a perspetiva da Tris e o outro sobre a perspetiva do Four, pois as suas "vozes" eram bastante parecidas, sendo difícil diferenciá-las. Porém, a grande reviravolta final que agradou a muita pouca gente, para mim foi um dos pontos mais positivos da obra, eu compreendi a necessidade da autora em fazê-lo e acho que ofereceu uma intensidade e estabilidade diferentes e necessárias ao volume final da série. 

13/07/2015

Acordou

*Fonte*
O rapaz acordou com pouca fé em si, sentia-se constantemente preso aos obstáculos de um amanhã previsível, que lhe prometia a confrontação com uma sociedade de classes em pleno mundo moderno. O rapaz acordou com a consciência de que teve o infortúnio de nascer no lado errado deste catálogo de ordens sociais, que divide a população não por mérito ou por trabalho, mas por condições económicas. O rapaz acordou e enfrentou o seu fado: este não teria possibilidades financeiras de dar continuidade aos seus estudos, de ingressar no ensino superior. Porque, em pleno século XXI, num país democrático e desenvolvido, a educação ainda se encontra restringida por barreiras monetárias. 

30/06/2015

"Mataram a Cotovia", Harper Lee

Sinopse: Durante os anos da Depressão, Atticus Finch, um advogado viúvo de Maycomb, uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos, recebe a dura tarefa de defender um homem negro injustamente acusado de violar uma jovem branca. Através do olhar curioso e rebelde de uma criança, Harper Lee descreve-nos o dia-a-dia de uma comunidade conservadora onde o preconceito e o racismo caracterizam as relações humanas, revelando-nos, ao mesmo tempo, o processo de crescimento, aprendizagem e descoberta do mundo típicos da infância. Recentemente, alguns dos mais importantes livreiros norte-americanos atribuíram grande destaque ao livro, ao elegerem-no como o melhor romance do século XX.


Livro: Mataram a Cotovia
Autor: Harper Lee
Editora: Relógio d'Água
Nº de páginas: 340

A obra é narrada na primeira pessoa, sob a perspetiva de Scout Finch, uma rapariga de cinco anos que cresce com o desenrolar da ação, porém esta narra a história com um distanciamento de alguns anos, permitindo uma avaliação diferente dos acontecimentos. Desta forma, o leitor é presenteado por dois pontos de vista diferentes que se completam de forma progressista e genial, por um lado a inocência e o espírito livre da criança, por outro a perspicácia e o entendimento oferecidos pelo tempo à protagonista. Outra singularidade que se evidencia em Mataram a Cotovia, de Harper Lee, é o seu espaço, isto é Maycomb, uma pequena cidade repleta de curiosidades e de moradores cativantes, cujas respetivas histórias se interligam criando um círculo informal cheio cheio de mistérios. De facto, é a partir desta comunidade que Lee faz um retrato admirável da época de depressão dos Estados Unidos da América, abordando importantes questões como a discriminação racial e as graves consequências da crise da década de trinta. 
*Fonte*
"Têm todo o direito de pensar dessa forma, como também têm o direito à que as suas opiniões sejam respeitadas - disse o Atticus -, mas antes de viver com os outros, tenho de viver comigo próprio. E a única voz que se sobrepõe à regra da maioria é a nossa consciência."

Por fim, esta obra passou a integrar a minha lista de livros preferidos pela envolvente comunidade de Maycomb, pela irreverência e sagacidade de Scout, pela integridade e altruísmo de Atticus, pelos valores e pela lealdade de Calpurnia, pela sabedoria e simpatia de Miss Maudie, pelos mistérios e caraterísticas das restantes personagens. E, sobretudo, pela leveza da história que, apesar da escrita cuidada, não perde o ritmo vertiginoso que nos impede de pousar o livro, oferecendo ao leitor uma experiência literariamente deleitável.

19/05/2015

"Nas Asas do Amor", Sarah Sundin

Sinopse: Allie nunca foi suficientemente bonita para agradar à sua deslumbrante mãe, por isso fará qualquer coisa para ter a sua aprovação, até casar com um homem quer não ama. Enquanto Allie quase se resigna ao seu destino, o tenente Walter Novak – destemido na cabina de pilotagem mas tímido com as mulheres – vai a casa na sua última semana de licença antes de ser enviado para combater na Europa durante a 2ª Guerra Mundial. Walt e Allie conhecem-se e o seu amor pela música junta-os, fazendo-os começar uma correspondência que mudará as suas vidas. Enquanto as cartas vão e vêm entre a base de bombardeiros de Walt e a mansão de Allie, a amizade que cresce entre ambos une-os. Mas serão capazes de resolver os segredos, compromissos e expetativas que os separam e lutar contra o próprio destino? E conseguirão voltar a juntar-se?
Livro: Nas Asas do Amor
Autor: Sarah Sundin
Editora: Quinta Essência
Nº de páginas: 454
Série: Asas de Glória
Nº da série: 1

Nas Asas do Amor, é um livro deslumbrante sobre amor, sacrifício, fé, coragem e redenção, numa época assombrada pela guerra, mas acompanhado por umas pitadas de humor e de notas musicais. Uma história envolvente, de encontros e desencontros, com personagens encantadoras, humanas e puras, que tanto nos coloca na cabine de um B-17 durante bombardeamentos como num clube de leitura de uma pequena igreja. Este livro ensina-nos sobretudo que por vezes, vale a pena lutar por aquilo em que acreditamos, mesmo que isso vá contra as convenções da sociedade, ou até mesmo dos nossos pais. Tendo em conta a época retratada, Allie revelou ser um belo exemplo de coragem, evitando o conformismo e lutando pela sua felicidade e é bastante interessante observar ao longo da ação como as suas ideias iniciais acerca da vida e do mundo se vão alterando à medida que vai conhecendo Walt. 
Sarah Sundin é sem dúvida uma escritora fabulosa, que me cativou desde o primeiro momento e que adorei conhecer e por isso, estou ansiosa para ler os próximos volumes de ‘Asas de Glória’. 
Rita Valamatos

09/05/2015

Provavelmente ficção

*Fonte*
A precisão da sua localização era facilmente contestável, encontrava-se rodeada de estantes recheadas de livros, talvez se tratasse de uma biblioteca ou de uma livraria. O ambiente oferecia-lhe tranquilidade, conforto e até um pouco de confiança, embora não se recordasse de por ali ter passado anteriormente. Surgem então, junto da rapariga, três figuras fantasmagóricas, Virginia Woolf, José Saramago e Gabriel García Marquéz, suscitando na rapariga sentimentos de confusão e de surpresa, mas sobretudo uma felicidade extremamente completa. Virginia Woolf, com uma postura retilínea e sem lhe abrir o sorriso, oferece-lhe um olhar determinado e uma lenta aprovação com a cabeça,  Gabriel García Marquéz, por outro lado, brinda-a com alegria contagiante do seu sorriso e passa-lhe delicadamente com a mão pela face. E, por fim, José Saramago, com o olhar de quem conhece cada pedra desta calçada universal, presente-a com as seguintes palavras.
-A história chegou! - e progressivamente cada um deles desapareceu. 
Foi apenas no dia seguinte, na escola, quando a rapariga retirava o Memorial do Convento da sua mochila, que esta se lembrou do episódio e percebeu que tinha sido um sonho. No entanto, passados sete dias e após várias tentativas de voltar a revive-lo, ela gosta de acreditar que talvez não tenha sido um simples sonho, talvez a história tenha mesmo chegado.

19/04/2015

Crimes e Denúncias

*Fonte*
A denúncia havia sido feita. O seu mais obscuro crime havia sido revelado, a esperança morrera, a sua vida como, então, a conhecia caminhava a passos largos para o fim. Não podemos dizer que fora o crime com mais planeamento na história dos crimes planeados, de certa forma fora um acidente, uma ação involuntária. Ainda assim, ela sabia que receberia um castigo, uma punição, pois qualquer ato tem consequências e essas, bem essas não podem ser, simplesmente, evitadas. Assim, quando o seu crime foi denunciado, ela assumiu a culpa e esperou, pacientemente, pela sua sentença.
- Declaro-me culpada e aceitarei o meu castigo. - disse a Laurinha com um olhar determinado de quem entende o mundo e a distância do tempo.
Os pais começaram-se a rir, o que Laurinha achou confuso, talvez a mãe não gostasse assim tanto daquela jarra...

11/04/2015

"Bela terra, que dá de comer a quem passa"

*Fonte*
Os primeiros dias de calor marcam a sua presença naquela cativante primavera de abril, oferecendo cheiros e sabores diferentes que, apesar de novos, eram já conhecidos pelo velho mundo. A temperatura ideal, alguns diriam, para o primeiro gelado do ano.
- Estão-se a tratar? - perguntou o senhor José ao grupo de jovens que, sentados num banco de jardim, se deleitavam com cremosos gelados. Estes responderam sorrindo, confirmando as suspeitas do simpático senhor José, que se despediu amavelmente, como sempre, com uma pequena rima:
- "Bela terra, que dá de comer a quem passa,
    Mas quem não paga, nem leva o que é de graça!".

31/03/2015

Maus fígados, Bons corações

*Fonte*
Joaquim Cabral Fonseca era elegante, perfeccionista e exigente, mesmo com as pessoas que não conhecia. Sobre o ponto de vista exterior, a sua aparência e atitude lembravam um homem gelado, demasiado preocupado com o espelho para reparar no mundo. No entanto, existem personalidades que se escondem ao olhar amador de um primeiro encontro. E esse é o caso de Joaquim Fonseca, de sobrancelha franzida e presença autoritária, vive atento à inconstância deste mundo. A sua sensibilidade algema-o ao sofrimento cada vez que um raio separa dois humanos socialmente divergentes, cada vez que uma gota de água destrói pequenos lares nesta natureza imensa, cada vez que uma nuvem ofusca milhões de crianças de quem a fome é companheira diária. Joaquim, ainda que de cara e postura fechadas, luta contra estas injustas variáveis semanalmente de diferentes maneiras, sendo conhecido pelo falcão com coração de andorinha, entre os mais próximos.

07/02/2015

"Maximum Ride: Adeus à Escola", James Patterson

Sinopse (c/ spoilers): Passaram 24 horas desde que Max e o seu bando escaparam do Instituto, em Nova Iorque. Os seis amigos com poderes extraordinários continuam a emocionante procura dos seus pais e da verdade sobre quem realmente são.
Embora perseguidos pelos medonhos Erasers, tentam levar uma vida normal, com a ajuda de uma agente do FBI. Mas para este bando não existem dias normais. Max apercebe-se de que estão a ser alvo de uma emboscada e a situação é ainda mais grave — ela e os cinco amigos devem, supostamente, salvar o mundo. Mas salvá-lo de quem? Quando? E como?

Livro: Maximum Ride: Adeus à Escola
Autor: James Patterson
Editora: Topseller
Nº de páginas: 384
Série: Maximum Ride
Nº de série: 2

O segundo volume da série Maximus Ride, de James Patterson, introduz novas questões e novos mistérios, alguns membros do bando desenvolvem novos poderes, assim como alguns Erasers, e surgem novas personagens, proporcionando novas relações e intrigas. Além disso, neste segundo livro o autor apresenta-nos a perspectiva do outro lado do conflito, permitindo, assim, o desenvolvimento da história de algumas das figuras secundárias, e os capítulos são um pouco mais longos, possibilitando uma melhor visualização da ação da obra.
*Fonte*
Algumas questões colocadas ainda no primeiro volume são respondidas, proporcionando ao leitor a criação de alguma teorias sobre os restantes mistérios ainda por desvendar. Desta forma, através das diversas peças soltas, que o bando tenta juntar, o leitor especula e luta para encontrar respostas. Por fim, o segundo livro foi tão encantador quanto o primeiro, de maneira que estou bastante entusiasmada para solucionar todos estes enigmas e descobrir o futuro destas fascinantes personagens que me são cada vez mais próximas. 

31/01/2015

"Maximum Ride: O Resgate de Angel", James Patterson

Sinopse: ALERTA! Um grupo de seis jovens com poderes extraordinários está em FUGA. O seu líder é Maximum Ride, ou Max. Retirados dos seus pais à nascença, os seis estavam presos num laboratório secreto, onde foram alterados geneticamente para se tornarem 98% humanos e 2% pássaros. Agora eles conseguem voar e escaparam da sua prisão. Mas desconhecem as razões para tudo o que lhes foi feito, e não sabem quanto tempo de vida lhes resta. No seu encalce estão os Erasers, seres diabólicos criados no mesmo laboratório, que apanham Angel, a miúda mais nova e especial do grupo de Max. Conseguirá Max resgatar Angel e descobrir a verdade sobre si e os seus amigos? 

Livro: Maximum Ride: O resgate de Angel
Autor: James Patterson
Editora:  Topseller
Nº de páginas: 384
Série: Maximum Ride
Nº de série: 1

Maximum Ride: O Resgate de Angel, de James Patterson, é o primeiro de uma série de oito volumes. Através de capítulos extremamente curtos e de um discurso simples e direto, Patterson cria uma aventura original e cativante, acompanhada de fascinantes personagens. Outra das caraterísticas que se distingue na obra consiste na interação com o leitor, conseguida através de notas dirigidas, diretamente, ao mesmo. Bem como a positiva estrutura das diferentes relações entre os diversos integrantes da ação, que facilita o desenvolvimento de cada personagem individualmente e com a história em si.
*Fonte*

A obra apresenta diferentes focos de ação, oferecendo dinamismo à leitura, e não se prende ao argumento inicial, proporcionando momentos inesperados e episódios surpreendentes. Desta forma,  gostei bastante deste primeiro volume, foi uma leitura cativante que me prendeu por várias horas durante a madrugada e que me deixou curiosa em relação aos restantes livros da série. 

25/01/2015

"A Carta Roubada" + "Berenice", Edgar Allan Poe

Sinopse:  As duas histórias deste volume permitem explorar os polos opostos da narrativa de Poe. Em "A Carta Roubada", encontramos o conto policial que Poe sabe tecer com delicadas ironias, mas que contém uma importante declaração de princípios: para resolver com precisão os assuntos humanos, a imaginação poética revela-se superior à razão matemática e à exatidão dos seus axiomas. Já em "Berenice" entramos no território de melancolia mórbida, da beleza do macabro, do espanto e do fascínio pelos espetros monstruosos do além.


Livro:  A Carta Roubada + Berenice
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: Ara Llibres
Nº de páginas: 78
Coleção: Livros Bilingues
Nº de coleção: 2


O primeiro conto (A Carta Roubada) insere-se no género policial, este destaca-se pela abordagem singular do autor no desenvolvimento do mistério, colocando o crime em segundo plano, é numa reflexão sobre a lógica que se encontra o assunto central da obra. Desta forma, apesar do enigma ser bem desenvolvido, tomando a curiosidade do leitor desde o primeiro parágrafo, este termina sem um final certo, devido à pouca relevância que lhe é atribuída. A essência do conto encontra-se na mencionada reflexão sobre a lógica, onde o narrador defende que as leis da matemática não se aplicam a tudo, e na maneira como esta é aplicada em função da resolução do mistério.
*Fonte*
O segundo conto (Berenice) aprisiona por completo o leitor através da sua narrativa, que, apesar de profundamente melancólica e depressiva, flui levemente até ao último ponto final. Assim, o desespero levado ao extremo e a contagiante angústia, caraterísticos da obra de Poe, são transmitidos ao leitor astuciosamente, colocando em evidência a graciosa descrição dos acontecimentos. Por fim, o conto, inserindo-se no género terror, inclui um final arrepiante, que o eleva a um nível  superior de qualidade.

P.S.: Este livro pertence a uma promoção semanal do Correio da Manhã composta por vinte livros bilingues. 

22/01/2015

"O Alquimista", Paulo Coelho

Sinopse: "O Alquimista" relata as aventuras de Santiago, um jovem pastor andaluz que abandona a sua terra natal e viaja pelo Norte de África em busca de uma quimera — um tesouro enterrado sob as pirâmides. Uma cigana, um homem que diz ser rei e um alquimista irão ajudá-lo na sua busca. Ninguém sabe exatamente o que é o tesouro nem se Santiago conseguirá ultrapassar todos os obstáculos da sua travessia do deserto. Mas aquilo que começa por ser uma aventura por locais exóticos para procurar a riqueza material, acaba por se transformar numa viagem de descoberta de si mesmo e da riqueza da alma humana. "O Alquimista" recria um símbolo intemporal que nos recorda a importância de seguir os nossos sonhos e de ouvir a voz do coração.
Livro: O Alquimista
Autor: Paulo Coelho
Editora: Bertrand Editora
Nº de páginas: 200



O Alquimista, de Paulo Coelho, foi a obra escolhida para o contrato de leitura deste período da disciplina de português. Pessoalmente, a escolha agradou-me, pois, para além de já conhecer o autor (Na Margem do Rio Piedra eu Sentei e ChoreiO Zahir), era uma leitura que planeava fazer no futuro. 
Tendo em conta as agradáveis leituras anteriores, proporcionadas pelo mesmo autor, esperava um pouco mais desta obra. Apesar da escrita leve e direta, alguns ensinamentos surgem um pouco forçados, tornando a leitura cansativa e retirando algum do encanto das personagens. Nomeadamente,  Santiago, a personagem principal, que com o desenvolvimento da história vai perdendo destaque e, consequentemente, interesse. Porém, a construção de outras personagens foi bem conseguida, como o Inglês, uma personagem com uma personalidade, nitidamente, definida, e o Alquimista, que conquista o leitor através da sua audácia e atrevimento. Em suma, foi uma leitura positiva, que me fez refletir, ainda que não tenha correspondido com as minhas expetativas. 

12/01/2015

Descobridores do século XXI

*Fonte*
Pisar um chão desconhecido oferece ao mundo uma exuberância distinta, visível apenas ao olhar audacioso de um explorador. Um passageiro de múltiplas rotas, de mares e montanhas, de bosques e cidades, de ocidentes e orientes, um viajante que inspira experiências e expira cativantes histórias. Assim, aos olhos de um verdadeiro descobridor do século XXI, que não procura conquistar o desconhecido, mas sim conhece-lo, o mundo confessa-se, revelando as suas maiores riquezas e fraquezas. Consequentemente, um novo capítulo é escrito, um descobridor conhece mais um ponto neste mundo e o mundo conhece mais um ponto nesta multidão de descobridores. 

05/12/2014

Um caloroso casamento de inverno

A inconveniência de um casamento de inverno encontra-se, claro está, na tendência da temperatura em pender para frio. O que, juntamente com um vestido de tecido fino, oferece ao convidado um resultado de completa hipotermia. No entanto, desconsiderando a inconveniência da temperatura corporal, o encanto e o magnetismo, caraterísticos desta comemoração, marcam, ainda assim, a sua presença. A ansiosa alegria, que tem dificuldades em acomodar-se dentro dos noivos, é continuamente expressada e a nostalgia forma linhas de água nos olhos de quem relembra o passar dos anos. O entusiasmo é por todos transportado, a felicidade é assinalada por toda a parte, o ambiente é mais delicado, como se corresponde-se à ternura de cada sorriso presente. Por fim, são estas calorosas sensações que colocam em desvantagem o ar fresco e que tornam quente um casamento de inverno.      

01/11/2014

Ao Enigmático Outubro

*Fonte*
Enigmático Outubro,

Surgiste de leve, com falta de cor, escondido entre as gotas da chuva. Tens a destreza e habilidade típicas de um temperamento subtil, que passa despercebido, revestido de mistérios. Porém, apesar de toda essa camuflagem, tens uma feição alerta, que procura respostas, mesmo antes de existirem perguntas. Apareces, assim, sem marcares presença, Outubro. 
Os primeiros dias após o teu tímido aparecimento são um pouco desalinhados, no que diz respeito ao enquadramento dentro linha do tempo. A verdade é que se sente o fim de Setembro e, paralelamente, sente-se, também, a tua ausência. Mas as folhas começam a cair e eu encontro-te nos ramos, agora mais leves (talvez até mais livres), das árvores. O vento sopra com mais determinação, como se também ele te tivesse descoberto, e o mundo veste-se de alaranjado em comemoração da tua localização. É, então, por esta altura, que te começo a decifrar. Tens tendência para evitar o sol e as marés, tendo como núcleo o luar, sonhas com uma saudade mais leve, pois uma simples flor te pesa na nostalgia. E desde que tu, Outubro, te fizeste Outubro que tentas compreender esta enigmática terrestre multidão. No entanto, quando estou perto de alguma conclusão fico sem tempo e tu voltas a camuflar-te, deste vez protegido com o argumento do halloween. Talvez, no próximo ano (ou num outro, quem sabe), eu consiga traduzir as tuas caraterísticas para uma linguagem mais familiar, decifrando todos os teus enigmas e mistérios. 

Jessica Mendes

31/10/2014

Dia do Terror

*Fonte*
Laura já conhecia o Halloween, era o dia das bruxas, dos monstros e de qualquer outra criatura assustadora, porém, como qualquer outro dia comemorativo, também aquele lhe fazia confusão. Ela não percebia porque é que tinha de ser um dia tão assustador, pois nem todas as bruxas eram más e nem todos os monstros cruéis. Desta forma, Laura chamava-lhe dia do terror, não dia das bruxas, pois era um dia que comemorava o medo e os sustos, não as criaturas mágicas e fantásticas. E quando escolhia um disfarce para usar no dia do terror, criava-lhe sempre uma história que justifica-se a maldade daquela personagem. Assim, este ano, ela não era uma simples bruxa, era Heloisa Pavorosa, uma velha de imagem assustadora, que tinha o poder de curar qualquer doença, mas que era demasiado egoísta para ajudar os doentes.  

15/10/2014

Isto não é uma nota de suicídio #9

*Fonte*
O meu computador está viciado. Vamos, então, suspender por um momento a rotação da Terra e analisar estas palavras. Estará realmente o meu computador viciado, neste momento, ou será que desde o primeiro iniciar fora viciado? Porque se o meu computador está viciado em bateria, então eu estou viciada em oxigénio ou em água ou em sol ou em nutrientes, a verdade é que a bateria é a sua forma de alimentação, não um complexo mau hábito. Assim, eu percebi que o tenho chamado injustamente de viciado, quando na realidade ele só tem andado com mais fome do que o normal.