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31/10/2014

Dia do Terror

*Fonte*
Laura já conhecia o Halloween, era o dia das bruxas, dos monstros e de qualquer outra criatura assustadora, porém, como qualquer outro dia comemorativo, também aquele lhe fazia confusão. Ela não percebia porque é que tinha de ser um dia tão assustador, pois nem todas as bruxas eram más e nem todos os monstros cruéis. Desta forma, Laura chamava-lhe dia do terror, não dia das bruxas, pois era um dia que comemorava o medo e os sustos, não as criaturas mágicas e fantásticas. E quando escolhia um disfarce para usar no dia do terror, criava-lhe sempre uma história que justifica-se a maldade daquela personagem. Assim, este ano, ela não era uma simples bruxa, era Heloisa Pavorosa, uma velha de imagem assustadora, que tinha o poder de curar qualquer doença, mas que era demasiado egoísta para ajudar os doentes.  

08/10/2014

Repetidamente igual

*Fonte*
Era um dia como o que foi ontem, de nuvens preenchidas e de ventos melancólicos, que chamava pelo conforto dos cobertores com o mesmo vigor que um revolucionário chama pela mudança. A pequena Laura ficara em casa, assistira na primeira fila à repetição daquele dia, foi como se vivesse tudo pela segunda vez. Então, no dia seguinte, quando no caminho para a escola encontrou a Dona Alice, perguntou-lhe se os dias podiam ser iguais, porque ela tinha vivido dois dias iguais, até a sopa do jantar tinha sido igual.
- Um dia só se repete se quiseres ou permitires que ele se repita. É como as tuas galochas, a maioria das pessoas usa duas da mesma cor, mas tu usas uma de cada, permitindo que o teu pé esquerdo não "repita" o teu pé direito. - esclareceu-lhe a sábia senhora.

01/10/2014

Viagens de trotinete

Ela nada temia. Era uma criança de resposta rápida, de figura convicta, de olhar irreverente e sorriso astuto, de movimentos entusiasmados, de mãos curiosas, era uma criança com vontade de explorar, que se apresentava aos descobrimentos da vida. E ali voltava a passar, na rua da Dona Alice, que tanto gostava de conversar com a pequena erudita que parecia conhecer um mundo, um mundo independente, observável apenas aos olhares mais profundos e imensos. Porém, também Laura, a criança de livre espontaneidade, com a sua trotinete cor-de-rosa, os seus óculos de tamanho excessivo  à sua face e um botim de cada cor, apreciava as conversas. A cima de tudo, respeitava aqueles diálogos, pois acreditava que a Dona Alice antes de ser velhinha havia sido professora e agora, que era velhinha, apenas ensinava os meninos que passavam de trotinete à sua porta.