01/11/2014

Ao Enigmático Outubro

*Fonte*
Enigmático Outubro,

Surgiste de leve, com falta de cor, escondido entre as gotas da chuva. Tens a destreza e habilidade típicas de um temperamento subtil, que passa despercebido, revestido de mistérios. Porém, apesar de toda essa camuflagem, tens uma feição alerta, que procura respostas, mesmo antes de existirem perguntas. Apareces, assim, sem marcares presença, Outubro. 
Os primeiros dias após o teu tímido aparecimento são um pouco desalinhados, no que diz respeito ao enquadramento dentro linha do tempo. A verdade é que se sente o fim de Setembro e, paralelamente, sente-se, também, a tua ausência. Mas as folhas começam a cair e eu encontro-te nos ramos, agora mais leves (talvez até mais livres), das árvores. O vento sopra com mais determinação, como se também ele te tivesse descoberto, e o mundo veste-se de alaranjado em comemoração da tua localização. É, então, por esta altura, que te começo a decifrar. Tens tendência para evitar o sol e as marés, tendo como núcleo o luar, sonhas com uma saudade mais leve, pois uma simples flor te pesa na nostalgia. E desde que tu, Outubro, te fizeste Outubro que tentas compreender esta enigmática terrestre multidão. No entanto, quando estou perto de alguma conclusão fico sem tempo e tu voltas a camuflar-te, deste vez protegido com o argumento do halloween. Talvez, no próximo ano (ou num outro, quem sabe), eu consiga traduzir as tuas caraterísticas para uma linguagem mais familiar, decifrando todos os teus enigmas e mistérios. 

Jessica Mendes

1 comentário:

Pedro Sampaio disse...

Gostei deste texto, beijinho :)