18/01/2013

Chove


Já me separavam quatro horas da última meia-noite e os meus olhos continuavam abertos, a minha cabeça continuava ligada e o meu espírito continuava energético. Definitivamente, eu hoje não iria dormir. Enquanto os ponteiros do relógio se moviam, bem devagar, eu relembrava a minha vida e imaginava o meu futuro. Eu ansiava o dia seguinte, ansiava que a manhã nascesse e esta ansia acelerava-me o sangue.
Por fim, apareceu uma claridade acinzentada, o céu estava escuro, com as nuvens coladas, adivinhava-se chuva. O relógio continuava contra mim, assim, a velocidade do tempo era tanta que este parecia estar parado. O dia foi passando e eu, nem por um instante, saí de perto da minha família, que, assim como, o céu estava triste. Porém esse estado de espírito era compreensível, visto que, dentro em breve, eu partiria. O dia foi passando e a chuva foi caindo. O dia foi passando, o dia foi passando até que, o relógio alcançou o momento da verdade… e sim, eu entrei no comboio.
As pessoas que me são mais próximas acham que eu não sei o que estou a fazer, para elas, o correto seria ficar por lá a fazer o que uma miúda normal faz, mas eu arrisquei. Eu deixei para trás a minha família, o meu trabalho, os meus amigos, a minha cidade… e arrisquei. Caso eu não o tivesse feito, ao longo da minha vida, iria ouvir várias vezes: “E se eu tivesse arriscado? Será que?”. Aos meus noventa anos, eu vou pensar que tudo acabou, vou pensar nas decisões que tomei, se eu fui, realmente, pelo caminho que queria seguir ou se fui pelo mais fácil, mais óbvio. Nós só temos uma oportunidade, temos de aproveitá-la, eu não me sentiria bem comigo mesma se não a tivesse aproveitado. Se eu não tivesse tentado, um dia, que explicação é que eu daria a mim mesma. Com toda a certeza, eu não sou uma rapariga normal. Eu não sonho com um bom emprego, uma casa na praia ou casar… eu só quero ser feliz comigo mesma.



Respiro-te



Quando estou sozinha, presa em pensamentos, dedicada às minhas fantasias, sinto-te mais perto de mim. Eu fecho os olhos e encontro-te, ouço a tua voz, sinto o teu cheiro e vejo todos os teus movimentos. Imagino cenários, conversas, momentos de ternura, eu imagino que estamos juntos, que estamos felizes, sem qualquer preocupação. Em pouco tempo eu vou para outro mundo, para outra galáxia. E quando te encontro, perdido nos meus sonhos, não consigo explicar o que sinto quando te vejo aproximar. Tu não precisas de estar perto de mim para eu estar junto de ti. Os nossos corpos falam entre si sem se aperceberem que o tempo não parou, que as horas continuam a passar. Sem uma única palavra, a cada segundo, eles dizem um para o outro quanto se adoram. Eu não preciso de te ver, para te ter no meu mundo, pois onde quer que eu vá, tu és a única coisa que eu consigo ver.

Musica Para o Fim de Semana


Chegaram os dois dias mais lindos da semana, boa altura para ouvir música, não acham? No quentinho com os fones nos ouvidos e a curtir muito. XDD









Presa sem algemas nos pulsos


A vida pregou-me mais uma rasteira, mais uma vez fez-me cair, esfolei o braço, magoei as costas, raspei o joelho… Estou perdida. Não encontro um mapa que me leve à saída, não encontro uma estrela que me conduza, Um anjo que me mostre o caminho. Viver não é fácil… nós somos frágeis.
Pergunto-me “O que me espera?”. Mágoa, dor, raiva, revolta, sofrimento, separações, brigas, ofensas… a morte? Continuo-o a mesma menininha inútil, confusa, esquecida, coberta de frustrações, iludida pelas realidades da vida, presa sem algemas nos pulsos. Continuo sem perceber qual a necessidade das pessoas em alimentar o meu sofrimento. Em vez de progredirem, de avançarem, de crescerem, perdem tempo, a magicar qual a melhor forma de me fazer cair. Nem sempre fui muito organizada, porém consigo separar as ervas daninhas dos aliados.
Mais uma noite e eu aqui a tentar dormir, desisto, tu entraste na minha cabeça, com um pacote de problemas incluído, e já não saíste. Não existe solução, nem remédio, a causa da minha insónia não é o café. A história é a mesma só muda as personagens do enredo, é que o “para sempre”, de hoje em dia, tem sempre um fim.
Eu posso viajar por todo este mundo, ir até à Lua, passar por Marte e espreitar Saturno, contudo o mais parecido com o paraíso que encontro é o teu olhar. Acredita em mim, eu já procurei um lugar mais seguro que os teus braços e não encontrei. Esforcei-me para traçar o nosso caminho, sem desvios, sem atalhos, mas para criar um par são precisas duas meias. Eu… Tu… Ligas-me quando te chateias com a vida, choras, apertas-me a mão, contas-me os teus problemas, eu não me importaria desde que me chamasses solução.
Mas agora já chega, estou cansada, choro por tudo, por nada e por mais qualquer coisa, estou exausta, já nem a lua me faz sorrir. Eu gostava de acabar com qualquer coisa forte, mas se não posso dizer que te amo, então prefiro não dizer nada.